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e uma terceira ainda mais alta, não mais que uma
tremeluzente centelha contra o céu. E por fim, lá onde os
falcões pairavam, um lampejo branco ao luar. Foi assaltada
pela vertigem ao olhar para as torres claras tão longe acima
dela.
- O Ninho da Águia - ouviu Marillion murmurar, espantado.
A voz penetrante de Tyrion Lannister intrometeu-se.
- Os Arryn não devem ser lá muito amigos de companhia. Se
planeja nos fazer escalar aquela montanha no escuro, preferia
que me matasse já aqui.
- Passaremos a noite aqui e subiremos de manhã - disse-lhe
Brynden.
- Mal consigo esperar - respondeu o anão. - Como é que
subimos até lá em cima? Não tenho experiência em montar
cabras.
- Mulas - disse Brynden, sorrindo.
- Há degraus escavados na montanha - Catelyn completou.
Ned falara-lhe deles quando lhe contara sobre a juventude
passada ali com Robert Baratheon e Jon Arryn.
O tio confirmou com a cabeça.
- Está muito escuro para vê-los, mas os degraus estão lá. São
bastante íngremes e estreitos para cavalos, mas as mulas
conseguem subi-los ao longo da maior parte do caminho. A
trilha é guardada por três castelos intermédios, Pedra, Neve e
Céu. As mulas nos levarão até Céu.
Tyrion Lannister olhou de relance para cima, com ar de
dúvida.
- E depois disso?
Brynden sorriu.
- Depois disso, o caminho é íngreme demais até para mulas.
Fazemos a pé o resto do trajeto. Ou talvez você prefira subir
num cesto. O Ninho da Águia agarra-se à montanha
diretamente por cima de Céu, e em seus subterrâneos há seis
grandes guinchos com longas correntes de ferro para
transportar mantimentos a partir do castelo inferior. Se
preferir, senhor de Lannister, posso organizar as coisas para
que suba com o pão, a cerveja e as maçãs.
O anão soltou uma gargalhada.
- Bem gostaria de ser uma abóbora - ele respondeu. -
Infelizmente, o senhor meu pai ficaria sem dúvida muito
desgostoso se seu filho de Lannister fosse ao encontro de seu
destino como um carregamento de nabos. Se vão subir a pé,
receio que deva fazer o mesmo. Nós, os Lannister, somos
dotados de algum orgulho.
- Orgulho? - retrucou Catelyn em tom duro. O tom irônico e
as maneiras fáceis do anão a tinham irritado, - Alguns
chamariam isso de arrogância. Arrogância e avareza, e desejo
de poder.
- Meu irmão é sem dúvida arrogante - respondeu Tyrion
Lannister. - Meu pai é a alma da avareza, e minha querida
irmã Cersei deseja o poder em cada momento que passa
acordada. Eu, no entanto, sou inocente como um cordeirinho.
Devo balir agora? - e sorriu.
A ponte levadiça começou a descer, rangendo, antes que
Catelyn pudesse responder, e ouviram o som de correntes
oleadas quando a porta levadiça foi puxada para cima.
Homens de armas trouxeram tochas ardentes para lhes
alumiar o caminho, e o tio os levou através do fosso. Lorde
Nestor Royce, Intendente Supremo do Vale e Guardião dos
Portões da Lua, esperava no pátio por eles, rodeado pelos seus
cavaleiros,
- Senhora Stark - ele a cumprimentou, fazendo uma
reverência. Era um homem maciço, com o peito em forma de
barril, e sua reverência era desajeitada.
Catelyn desmontou à sua frente.
- Lorde Nestor - ela retribuiu. Só conhecia o homem por
reputação. Primo de Bronze Yohn, pertencente a um ramo
menor da Casa Royce, mas mesmo assim um senhor
formidável por direito próprio. - Tivemos uma viagem longa e
cansativa. Peço a hospitalidade de seu teto por esta noite, se
possível.
- Meu teto é seu, senhora - retorquiu bruscamente Lorde
Nestor -, mas sua irmã, a Senhora Lysa, enviou uma
mensagem do Ninho da Águia. Deseja vê-la de imediato. O
resto do seu grupo ficará alojado aqui e será enviado para
cima à primeira luz da madrugada.
O tio saltou do cavalo.
- Que loucura é esta? - disse ele sem cerimônia, Brynden Tully
nunca fora homem que suavizasse as palavras. - Uma subida
noturna, sem sequer uma lua cheia? Até Lysa deve saber que
isto é um convite para um pescoço quebrado.
- As mulas conhecem o caminho, Sor Brynden - uma moça
seca e dura, de dezessete ou dezoito anos, adiantou-se ao lado
de Lorde Nestor, Tinha os cabelos escuros cortados curtos,
lisos, e usava couros de montar e uma leve cota de malha
prateada. Fez uma reverência a Catelyn, mais graciosa que a
do seu senhor. - Prometo, senhora, que nenhum mal lhe
acontecerá. Será minha honra levá-la para cima. Fiz a subida
às escuras um cento de vezes. Mychel diz que meu pai deve
ter sido um bode.
A moça soava tão pretensiosa que Catelyn teve de sorrir.
- E tem um nome, jovem?
- Mya Stone, ao seu dispor, senhora.
Mas a disposição era amarga; foi um esforço para Catelyn
manter o sorriso. Stone era um nome de bastardo no Vale, tal
como Snow no Norte e Flowers em Jardim de Cima; em cada
um dos Sete Reinos o costume tinha criado um apelido para
as crianças nascidas sem nome de mrruha. Catelyn não tinha
nada contra aquela jovem, mas de repente não pôde deixar de
pensar z: bastardo de Ned na Muralha, e o pensamento a fez
sentir-se ao mesmo tempo zangada e culpada. Lutou para
encontrar palavras para uma resposta.
Lorde Nesto